Não é raro encontrarmos nas redes sociais vídeos feitos por pessoas que registram tragédias e desgraças que poderiam ser evitadas se o nefasto que filma estivesse apenas preocupado em ajudar ao invés de gravar. Este é só um tipo de bizarrice dentre tantos possíveis de se encontrar em redes sociais, tal como pessoas se colocando em risco para aparecer na internet.
Há anos observamos o também estranho e comum comportamento de pessoas que se utilizam das populares redes sociais para denunciar crimes de toda ordem. Desde o esbofeteamento mútuo de tiazinhas de dois dentes brigando pelo amor do tiozinho do boteco à escravidão e tráfico humano. Sempre tive a sensação de que quem faz isso, na maioria dos casos, não espera por justiça, mas, apenas, por popularidade e tudo isso que já nem tenho mais paciência pra dizer: ganhar likes, seguidores e comentários.
E o tipo de nefasto que posta a suposta denúncia nas famigeradas redes sociais nem sempre é um cidadão comum, preguiçoso e egocêntrico. É sabido que existem os canais oficiais, os locais apropriados, tais como as delegacias de polícia em geral e especializadas em determinados tipos de ocorrência (delegacia da mulher, de proteção animal, ,do meio ambiente, do consumidor e etc), os disque-denúncia, os portais da Prefeitura e Secretarias, do Estado e Secretarias, do Governo Federal e Secretarias e etc.
Veja só, toda essa estrutura que citei no parágrafo anterior é paga, nos é cara, caríssima! E o primeiro lugar que eu procuro pra fazer uma denúncia, uma queixa-crime, uma demonstração de flagrante, é a casa da mãe joana.
Já publiquei um texto falando sobre os políticos influencers. Calcula-se o lógico, o indivíduo está dentro da máquina pública empregado para servir aos cidadãos. E, de dentro da máquina pública, onde na teoria ele tem a sua disposição muito mais recursos para uma denúncia, quando não um gabinete inteiro, principalmente se estiver ocupando um cargo político é que o patife vem antes de tudo, postar a “denúncia” nas redes sociais. Muitas vezes até promovendo o aviso antecipado àquele que está sendo denunciado, a fugir para a Bahia, para o Pernambuco, para o raio que o parta, antes que os desprezados canais oficiais sejam acionados.
Pior que isso, quando qualquer pessoa que está dentro da máquina pública, de qualquer esfera, procura primeiro a rede da casa da mãe Joana, ele coloca em total descrédito os meios oficiais que ele deveria prezar, afinal, é seu compromisso base e é de lá que vem seus rendimentos… Qual a dimensão deste desserviço?
Um cidadão qualquer, adulto, procurar primeiro as redes sociais para denunciar que seja o furto do vasinho de flor da sua varanda é de se estranhar. Alguém político ou servidor público é assustador. Agora, pense sendo um jornalista, dando ares de matéria investigativa, de denúncia, a algo que nem se assemelha a um post it.
Conto uma breve história que li por aí. Um padre caiu da cachoeira e morreu. A cidade está em luto. É só o que li. Não perguntaram: se o senhor estava acompanhado, quem era sua companhia, se deu tempo de socorrer, se ainda estava vivo ao ser socorrido, se os familiares e amigos sabiam que ele estava passeando na cachoeira, se foram informados do ocorrido, se deu tempo de interná-lo, se foi acidente ou se há indícios de assassinato. Pelo menos, informaram que quem deu o post it foram as autoridades locais, não se tratando de uma denúncia.
Agora, pululam jornalistas que dão post its com caráter de denúncia sem fazer a lição de casa. As redações estão parecendo máquinas de memes e emojis, pior que o cidadão preguiçoso. Quando, na teoria, antes de assinarem a reputação de qualquer pessoa, seja ele profissional de uma área, político, instituição pública ou privada ou difamar o seu próprio país, deveriam no mínimo, fazer a lição de casa, colhendo todos os elementos que estão amplamente disponíveis e ouvindo antes TODAS AS PARTES ENVOLVIDAS.
Taí, não por ser verdade o post it, mas, porque a propaganda foi tão absurda do que se confirmou ser mentira, que eu, que adoro leite condensado, acho que vai faltar no mercadinho.

Além de tudo isso que já expus, também cabe pensar na força que uma denúncia tem, a depender da notoriedade do autor da denúnica e/ou da instituição que ele representa. Pensa você, aí no seu cantinho, de boa, descobrir que tem um post it “jornalístico” de “boa fé”, “bem intencionado”, de um desses grandes nomes da imprensa rolando com seu nome na casa da mãe Joana.
Sentiu uma friaca na boca do estômago? Então, é aí que eu implico com quem se acha jornalista e faz o desserviço de assassinar reputações inconsequentemente e hoje, a maior fatia da imprensa se presta a este papel. Poderia ser o cidadão comum, adulto, preguiçoso e egocêntrico, com plena capacidade mental, ao procurar primeiro as redes sociais para denunciar. Ele mesmo sendo cidadão comum, pode com esta atitude estranha estar cometendo vários crimes, apesar de ser o piloto automático do viciado em postar, ou seja, atitude comum.
Daí, eu tenho que dar razão ao dócil e amável Vladimir Putin, presidente da Rússia, ex-KGB, porque:
Putin afirmou que as gigantes do Vale do Silício atuam como “concorrente do Estado” e citou o papel exercido por elas durante a campanha eleitoral americana no ano passado.

O pasarinho azul que faz parte da casa da mãe Joana já desmentiu post it do nosso Ministério da Saúde. A pergunta que eu faço a você que conseguiu chegar ao fim do meu imperceptível post it é: tem certeza que vai continuar colocando a sua vida nas mãos das Big Techs e esperando a resolução mágica e instantânea de assuntos tão delicados? Conheço uns diabos que estão adorando tudo isso.
#FreeSpeechFriday #SilenceDay
Publicando primeiramente no Blog Mira Certeira: https://miracerteira.wordpress.com/
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